Desenvolvimento de uma nanoemulsão com o neuropeptídeo neurovespina: avanços na terapia antiepiléptica e neuroprotetora
Antiepiléptico; Neurovespina; Nanotecnologia
A Epilepsia do Lobo Temporal (ELT) é o tipo mais comum em adultos e caracteriza-se pela gravidade e resistência aos medicamentos. Buscar novas terapias e entender melhor as alterações neuronais causadas por essa condição é essencial. Peçonhas de artrópodes têm revelado compostos neuroativos promissores. O peptídeo neurovespina, derivado da peçonha de vespas sociais, demonstrou potente efeito anticonvulsivante e neuroprotetor em modelos de crises convulsivas, sem efeitos adversos detectáveis. No entanto, sua meia-vida é de apenas 4 horas e sua administração é restrita a formas parenterais. Portanto, este estudo tem como objetivo desenvolver e caracterizar uma nanoemulsão carreadora do neuropeptídeo neurovespina e avaliar sua atividade antiepiléptica e neuroprotetora, tanto na forma livre quanto associada à nanotecnologia. A nanoemulsão, do tipo óleo em água (O/W), foi padronizada e analisada quanto às suas características físico-químicas. Utilizouse o modelo crônico de ELT induzido por pilocarpina em camundongos Swiss machos (30-40g), que receberam injeções subcutâneas de solução salina (150 mM), Neurovespina (4 mg/kg), Diazepam (4 mg/kg) ou nanopartículas desenvolvidas NanoBranco (20µg/10µL) e NanoNE (20µg/10µL), durante 15 dias. Os camundongos foram monitorados no biotério durante o período crônico e analisados por video-EEG para observação de Crises Espontâneas e Recorrentes (CERs) nos dias 15, 20, 25 e 30 do protocolo. Após a avaliação do efeito antiepiléptico, os animais foram eutanasiados e as alterações morfológicas neuronais avaliadas por coloração de Nissl. Os resultados mostraram que as nanoformulações mantiveram características físico-químicas desejáveis, com diâmetro hidrodinâmico < 200 nm, índice de polidispersão entre 0,008 e 0,700 e carga superficial positiva. A forma e o tamanho das nanoformulações foram confirmados por análise morfológica. A avaliação dos padrões epileptiformes por vídeo-EEG, no período crônico do modelo de ELT induzido por pilocarpina, demonstrou que o modelo de ELT foi ideal, proporcionando dados significativos ao comparar o grupo sadio com o grupo epiléptico e com o grupo NanoBranco. Além disso, observou-se uma tendência de diminuição no número e na frequência de CERs com o tratamento com neurovespina livre e nanoencapsulada. Em relação à avaliação da atividade neuroprotetora, observou-se uma redução da neurodegeneração em todas as regiões da formação hipocampal com o tratamento com peptídeo livre, e uma diminuição específica nas camadas do giro denteado e CA3 com o uso da nanoformulação NanoNE. Os dados indicam que o peptídeo livre, administrado duas vezes ao dia, teve resultados satisfatórios em todas as análises. A neurovespina nanoencapsulada, administrada uma vez ao dia, mostrou potencial para reduzir a frequência das crises e os danos neuronais. Assim, a nanoemulsão com o neuropeptídeo neurovespina indica um possível aumento da eficácia terapêutica, podendo proporcionar um tratamento mais eficaz e confortável para a epilepsia farmacorresistente.