AVALIAÇÃO DE CUSTO-UTILIDADE DA UTILIZAÇÃO DE INIBIDORES DA SGLT2 EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CRÔNICA E FRAÇÃO DE EJEÇÃO REDUZIDA SINTOMÁTICOS NO BRASIL
Dapagliflozina. Insuficiência cardíaca. Avaliação econômica em saúde. Análise de custoefetividade. Modelo de Markov. Anos de vida ajustados pela qualidade (QALY)
A Insuficiência Cardíaca (IC), uma síndrome clínica complexa com alta morbidade e mortalidade, é um grave problema de saúde pública com impacto econômico cada vez maior. A incorporação de novas tecnologias em seu tratamento representa um desafio para os sistemas de saúde de países em desenvolvimento como o Brasil. Recentemente, o uso de uma nova classe de agentes antidiabéticos - os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2i) - foi associada a uma redução significativa da mortalidade e hospitalização em pacientes com IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr) quando adicionada ao tratamento farmacológico padrão. No entanto, há poucos dados sobre sua relação de custo-efetividade em nosso país. O presente estudo tem como objetivo avaliar a custoutilidade do tratamento adicional com dapagliflozina para ICFEr, da perspectiva do sistema público de saúde brasileiro (SUS). Desenvolvemos um modelo de Markov, com base no estudo "Dapagliflozin and Prevention of Adverse Outcomes in Heart Failure (DAPA-HF)", para avaliar os resultados clínicos e os custos de 1.000 indivíduos hipotéticos com insuficiência cardíaca estabelecida e fração de ejeção reduzida. Dados sobre custos de tratamento, taxa de readmissão e morte por todas as causas foram baseados na população brasileira. O principal desfecho avaliado foi a estimativa do ganho em anos de vida ajustado pela qualidade (QALY) com a adição da dapagliflozina à terapêutica clínica padrão otimizada, sendo então calculada a sua razão de custo-efetividade incremental (RCEI). Análises de sensibilidade determinísticas e probabilísticas, bem como análises de cenário, foram realizadas. Ao longo de um horizonte de vida inteira no Brasil, a adição de dapagliflozina ao tratamento padrão em pacientes com ICFEr produziu uma média de 0,37 QALYs adicionais a um custo incremental de R$ 4.795, resultando em uma RCEI de R$ 13.123,70 por QALY ganho. Em análises de sensibilidade probabilísticas, 99,51% das simulações foram custo-efetivas considerando o limiar de custo-efetividade de R$ 40.000 por QALY ganho estabelecido pela CONITEC em 2022. Os resultados foram semelhantes para indivíduos com e sem diabetes. Desta forma, a dapagliflozina pode ser considerado um tratamento custo-efetivo quando adicionado à terapia padrão para ICFEr no Brasil.