Banca de DEFESA: Adriana Pinheiro Ribeiro

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Adriana Pinheiro Ribeiro
DATA : 18/08/2025
HORA: 14:00
LOCAL: A definir
TÍTULO:

EXPLORANDO O IMPACTO DA COVID LONGA: UM ESTUDO SOBRE SINTOMAS, FENÓTIPOS NEUROLÓGICOS E VACINAÇÃO


PALAVRAS-CHAVES:

“COVID-19; COVID longa; ansiedade; memória; sono; vacinação; teste Sniffin’s Stick; Brasil.”


PÁGINAS: 100
RESUMO:

“A pandemia de COVID-19 provocou impactos globais, afetando a saúde, a economia e a vida em sociedade. Diante desse cenário, a comunidade científica mobilizou-se para gerar evidências para a caracterização da doença e assim apoiar as ações de resposta à emergência sanitária. Nesse contexto, o presente estudo avaliou a persistência de determinados sintomas em indivíduos infectados pelo SARS-CoV-2 e a associação entre manifestações neurológicas na COVID longa, como queixas de memória, distúrbios do sono e humor depressivo, em uma coorte de 236 pacientes do Distrito Federal. A maioria dos participantes (86,3%), com média de idade de 41,2 anos, não foi hospitalizada. Na fase aguda, predominaram os sintomas de mialgia, hiposmia e disgeusia, afetando respectivamente 50%, 48,3% e 45,8% dos indivíduos. Entre os sintomas prevalentes na COVID longa, destacaram-se fadiga (21,6%), cefaleia (19,1%) e mialgia (16,1%). Observou-se, ainda, que queixas de memória, presentes em 39,8% dos indivíduos, se associaram de forma significativa a distúrbios do sono (OR ajustada: 3,206; IC 95%: 1,723–6,030) e a humor depressivo (OR ajustada: 3,981; IC 95%: 2,068–7,815). Em etapa subsequente, comparamos 62 pacientes com problemas de sono e memória (casos) a 52 indivíduos sem essas condições (controles), com o objetivo de identificar se havia um padrão de sintomas neurológicos inter-relacionados. As idades médias dos participantes do estudo foram semelhantes (41,5 e 38,9 anos), com diferenças significativas na taxa de vacinação (30,7% nos casos vs. 51,0% nos controles). Na COVID longa, pacientes com problemas de sono e memória apresentaram maiores frequências de sintomas como coriza (14,5% vs. 0%; P = 0,0037), dispneia (25,8% vs. 1,9%; P = 0,00030), cefaleia (38,7% vs. 13,5%; P = 0,0030) e náusea/vômito (21% vs. 1,9%; P = 0,0029). Além disso, também relataram maior dificuldade nas atividades diárias (45,2% vs. 9,6%; p<0,001), dificuldades de concentração (74,2% vs. 9,6%; p<0,001), ansiedade (66,1% vs. 34,6%; p=0,0013) e tristeza pós-COVID (82,3% vs. 40,4%; p<0,001). Esses achados confirmam a presença de fenótipos psicológicos concomitantes na COVID longa, com agrupamentos de sintomas em indivíduos com queixas de sono e memória. Adicionalmente, investigamos o impacto da vacinação contra a COVID-19 sobre os sintomas persistentes e sobre os novos sintomas — ou seja, aqueles que surgiram após a fase aguda da infecção —, a partir da análise de 177 indivíduos, dos quais 76 foram vacinados após a infecção, já durante a fase de manifestação da COVID longa. Nesse contexto, indivíduos não vacinados apresentaram maior prevalência de cefaleia (33,7% vs. 14,5%; p = 0,0050), dispneia (23,8% vs. 10,5%; p = 0,0296), tosse seca (12,9% vs. 1,3%; p = 0,0042) e ansiedade (57,4% vs. 38,2%; p = 0,0149). Embora sem significância estatística, o grupo controle apresentou maiores ocorrências de alguns sintomas, como dificuldade de concentração/sustentação da atenção, “tristeza pós-COVID”, problemas de memória e distúrbios do sono. O número de novos sintomas foi significativamente maior entre os indivíduos não vacinados, em comparação aos vacinados (p = 0,0113, teste de Mann-Whitney). Esses achados sugerem que a vacinação pode contribuir para melhores desfechos na COVID longa, com menor prevalência de sintomas específicos, redução do surgimento de novos sintomas e menores níveis de ansiedade. Paralelamente, conduzimos um estudo para avaliar o desempenho do teste olfativo Sniffin' Sticks de 16 itens (SS-16) em 144 adultos brasileiros jovens e de meia-idade, majoritariamente profissionais de saúde. Odores como 'menta', 'canela' e 'peixe' foram mais facilmente reconhecidos, enquanto 'maçã', 'solvente de tinta' e 'alcaçuz' foram os mais comumente confundidos. A idade, o sexo e a escolaridade exerceram influência no desempenho em itens específicos, com melhor desempenho feminino e discreta redução da acurácia com o avanço da idade. A homogeneidade da amostra, composta por indivíduos com alta escolaridade, pode ter limitado a detecção de outras variações. A análise de Rasch contribuiu para a validação da versão adaptada do SS-16, e os achados reforçam a necessidade de estabelecer normas brasileiras mais representativas. Este estudo reafirma a complexidade da COVID longa e sua capacidade de produzir sintomas persistentes com impacto significativo na vida cotidiana. Ao demonstrar possíveis benefícios da vacinação mesmo após a infecção, os achados trazem implicações relevantes para o manejo da doença em longo prazo. Além disso, ao validar ferramentas de rastreio como o teste olfativo SS-16 no contexto brasileiro, a pesquisa contribui com subsídios concretos para o aprimoramento das estratégias de vigilância, cuidado e reabilitação. Em conjunto, os resultados ressaltam a importância do acompanhamento contínuo e da produção científica nacional como base para políticas públicas diante dos desafios ainda impostos pela pandemia.”


MEMBROS DA BANCA:
Externo ao Programa - 1156673 - FELIPE VON GLEHN SILVA - nullExterna ao Programa - 2221672 - HELENA ERI SHIMIZU - nullExterna à Instituição - KELLIANE ALMEIDA DE MEDEIROS - HFA
Externo à Instituição - MARCELO DE OLIVEIRA HENRIQUES - MD
Presidente - 1127261 - RICARDO TITZE DE ALMEIDA
Notícia cadastrada em: 08/08/2025 17:26
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