Exposição perinatal de camundongos C57Bl/6 à ametrina e desfechos metabólicos na vida adulta
Palavras-chave: obesidade; desreguladores endócrinos; obesogênicos ambientais; tecido adiposo
“Nos últimos anos, têm se acumulado evidências sobre o papel de contaminantes ambientais no desenvolvimento da obesidade e de suas complicações metabólicas. Essas substâncias, conhecidas como desreguladores endócrinos (DE) ou desreguladores metabólicos, são amplamente utilizados em atividades industriais e agrícolas e possuem a capacidade de interferir em diferentes aspectos da homeostase energética, afetando, assim, a regulação do peso corporal e metabolismo da glicose. O presente estudo teve como objetivo investigar os efeitos da exposição perinatal ao pesticida ametrina sobre desfechos metabólicos na vida adulta em camundongos. A exposição de camundongos C57BL/6 fêmeas (geração parental) à ametrina foi realizada na água de beber, iniciada uma semana antes do acasalamento, suspensa durante o acasalamento e retomada após esse período, sendo mantida ao longo de toda a gestação e lactação. A concentração utilizada (50 ng/mL) foi selecionada com base em valores ambientais previamente descritos na literatura. A prole (geração F1) foi distribuída em quatro grupos experimentais para cada sexo: exposição perinatal ao controle + alimentação com dieta normolipídica na vida adulta, exposição perinatal ao controle + alimentação com dieta hiperlipídica na vida adulta, exposição perinatal à ametrina + alimentação com dieta normolipídica na vida adulta, exposição perinatal à ametrina + alimentação com dieta hiperlipídica na vida adulta. A dieta normolipídica foi constituída de 10% de seu conteúdo calórico na forma de lipídeos e a dieta hiperlipídica foi constituída de 30% de seu conteúdo calórico na forma de lipídeos. A prole foi acompanhada com relação ao peso corporal e avaliada com relação à tolerância à glicose, por meio do teste de tolerância à glicose, e sensibilidade à insulina, por meio do teste de tolerância à insulina. Foi observado que machos expostos à ametrina apresentaram aumento do ganho de peso na vida adulta, intesificado pelo consumo de dieta hiperlipídica. Nas fêmeas alimentadas com dieta normolipídica, a exposição à ametrina não influenciou o ganho de peso na vida na vida adulta, porém promoveu aumento do ganho de peso naquelas alimentadas com dieta hiperlipídica. Foi observado comportamento semelhante da tolerância à glicose, tendo havido piora nos machos expostos à ametrina, independentemente da dieta recebida, e piora nas fêmeas alimentadas com dieta hiperlipídica, porém não naquelas alimentadas com dieta normolipídica. Não foram observadas alterações significativas da sensibilidade à insulina. Os resultados deste estudo indicam que, no modelo murino empregado, a ametrina apresenta características compatíveis com a atuação de um agente obesogênico in vivo, com seus efeitos sendo intensificados pela exposição concomitante a uma dieta hiperlipídica. Esses achados reforçam a relevância da ametrina como potencial modulador de vias metabólicas relacionadas ao acúmulo de adiposidade. No entanto, investigações adicionais, incluindo análises mecanísticas e avaliações em diferentes modelos experimentais, são essenciais para esclarecer os processos subjacentes e consolidar a compreensão dos efeitos observados.”