USO DO LED ÂMBAR NA HIPERPIGMENTAÇÃO DA PELE INDUZIDA POR RADIAÇÃO IONIZANTE
Terapia com luz de baixa intensidade; Diodo emissor de luz; Pele; Hiperpigmentação; Melanose; Oncologia
A hiperpigmentação é uma condição dermatológica caracterizada por alterações na produção ou distribuição da melanina pelos melanócitos, decorrentes de diversos fatores internos e externos, a exemplo da exposição à radiação ultravioleta, alterações hormonais e tratamentos médicos, como a radioterapia, que resultam no escurecimento da pele. Embora não seja considerada uma condição potencialmente fatal nem cause prejuízos diretos à saúde física, a hiperpigmentação pode impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, especialmente em aspectos emocionais e psicológicos. Atualmente, existem diversas opções terapêuticas disponíveis. No entanto, os efeitos adversos e o tempo prolongado de tratamento frequentemente comprometem a adesão e podem levar ao abandono do tratamento. Nesse contexto, a terapia por fotobiomodulação (FBM) desponta como uma abordagem promissora e menos invasiva para o manejo da hiperpigmentação. O LED âmbar interage com a melanina, tornando-o uma potencial opção terapêutica. O presente trabalho será desenvolvido em duas etapas principais. No Capítulo 1, é apresentada uma revisão de escopo com o objetivo de mapear a literatura científica existente sobre o uso do LED âmbar no manejo da hiperpigmentação cutânea. A busca foi realizada em 10 de abril de 2025, nas seguintes bases de dados eletrônicas: Cochrane Database, CINAHL, EMBASE, PubMed e Web of Science Core Collection. Complementarmente, foi conduzida uma busca na literatura cinzenta por meio do Google Scholar e ProQuest™ Dissertations & Theses Citation, além de uma busca manual nas referências dos estudos incluídos. Ao todo, nove estudos foram incluídos na análise. Os resultados demonstraram que o LED âmbar (585–595 ± 10 nm) foi empregado, principalmente, no tratamento e prevenção da hiperpigmentação. Estudos in vitro indicaram que esse espectro de luz é capaz de modular vias relacionadas à melanogênese, à autofagia celular em melanócitos e à angiogênese, contribuindo para a redução de hiperpigmentações específicas. Ensaios clínicos corroboraram esses achados, evidenciando a eficácia do LED âmbar, sobretudo no tratamento do melasma. Contudo, a variabilidade dos parâmetros de irradiação e o relato incompleto dos dados experimentais evidenciam a ausência de protocolos padronizados, reforçando a necessidade de estudos mais robustos e diretrizes reprodutíveis para o uso clínico do LED âmbar. No Capítulo 2, será conduzido um estudo observacional prospectivo, a ser realizado no Ambulatório de Radioterapia da Unidade de Oncologia do Hospital Universitário de Brasília (UNACON/HUB), no âmbito do projeto Ambulatório de Fotobiomodulação. Serão convidados a participar pacientes com diagnóstico de câncer de mama submetidas à mastectomia radical, bem como pacientes com câncer de cabeça e pescoço submetidos à radioterapia, conforme critérios de elegibilidade, que estejam sendo atendidos no ambulatório de fotobiomodulação e tenham recebido LED âmbar como estratégia terapêutica. O objetivo é monitorar e documentar a evolução clínica da hiperpigmentação induzida por radiação, em pacientes submetidos à fotobiomodulação com LED âmbar. Dessa forma, este trabalho busca consolidar a evidência científica sobre o uso do LED âmbar no manejo da hiperpigmentação, por meio da revisão de escopo, gerar dados clínicos prospectivos que descrevam seu potencial terapêutico, com foco na população com câncer submetida à radioterapia.