Quase (objeto) da família: reflexões sobre escravidão doméstica, dívida, gênero e justiça a partir do caso de Sônia Maria de Jesus
Sônia Maria de Jesus; trabalho escravo doméstico; justiça
A presente pesquisa de doutorado tem como proposta analisar o caso de Sônia Maria de Jesus, submetida à escravidão contemporânea casa de um desembargador de justiça, e suas implicações para pensar as categorias do direito do trabalho e a justiça – como conceito e como sistema –, ante a expropriação do trabalho de mulheres negras no Brasil. Para isso, propõe um percurso em três movimentos. No primeiro, expor como a vida negra desafia as noções dominantes de tempo e espaço que fundamentam o Direito e de que maneira as categorias ontoepistemológicas da modernidade articulam uma ideia de justiça na qual a indiferença ética com a violência racial é a regra. No segundo, analisar como a existência das mulheres negras questiona as concepções dominantes de gênero e trabalho tendo em vista a fungibilidade dos corpos negros estabelecida a partir da escravidão e o apagamento do valor do seu trabalho. E, por último, propor noções de justiça e de trabalho que considerem a sobrevida da escravidão como catástrofe em andamento, mobilizando as noções de dívida impagável e cumulatividade.