CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE TRABALHADOR COMO TECNOLOGIA DE ADESTRAMENTO: o caso dos quilombolas montadores de torre do município de Santa Rita/MA
Identidade, Classe Social, Quilombismo
A tese investiga a tensão entre a identidade quilombola e a identidade de trabalhador assalariado, analisando como essas duas dimensões coexistem no caso dos quilombolas montadores de torres em Santa Rita/MA.
O argumento central sustenta que o trabalho assalariado, longe de ser neutro ou exclusivamente emancipatório, funciona como uma “tecnologia de adestramento”, que molda subjetividades e reproduz estruturas históricas de exploração racial e colonial.
Nesse contexto, a pesquisa demonstra que a inserção dos quilombolas no mercado de trabalho formal ocorre em meio a profundas contradições, uma vez que exige a adaptação a valores como disciplina, hierarquia e produtividade, frequentemente incompatíveis com a lógica comunitária, territorial e ancestral que estrutura a vida nos quilombos.
A análise também evidencia que essa dinâmica está inserida em um processo histórico mais amplo, marcado pela continuidade das desigualdades raciais após a abolição da escravidão, bem como pela atuação de um ordenamento jurídico que, embora reconheça direitos quilombolas, ainda opera sob bases eurocêntricas que dificultam a efetivação plena desses direitos.
Por fim, a tese conclui que a migração laboral e o trabalho assalariado, ao mesmo tempo em que garantem a sobrevivência material, podem contribuir para o enfraquecimento dos vínculos comunitários e territoriais, revelando a necessidade de construção de alternativas que conciliem geração de renda com a preservação da identidade, da autonomia e dos modos de vida quilombolas.