“Vozes e Silêncios do STF: o Mapa da Jurisprudência Racial no Discurso Constitucional de Afirmação de Direitos da População Negra (2003–2026)”
Jurisprudência racial. Supremo Tribunal Federal. Justiça Racial. Racismo Estrutural. Teoria Crítica da Raça.
Esta tese analisa a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na promoção da igualdade racial, no enfrentamento ao racismo e na afirmação de direitos da população negra no período entre 2003 e 2026. O problema central da pesquisa consiste em compreender se, e em que medida, o STF opera como indutor da justiça racial ou como instância de contenção institucional das demandas antirracistas, mitigando conflitos sem promover transformações estruturais consistentes. Parte-se da hipótese de que a Corte atua em um campo de disputas jurídicas, simbólicas e políticas, produzindo formas específicas de seleção, combinação, incorporação e silenciamento de argumentos no discurso constitucional. Trata-se de pesquisa qualitativa, empírica e interdisciplinar, baseada na análise de 12 julgados paradigmáticos e de um corpus documental composto por aproximadamente 300 documentos processuais, incluindo petições iniciais, manifestações institucionais, memoriais, audiências públicas, amici curiae, votos e acórdãos. A definição do corpus foi realizada mediante procedimento metodológico em duas etapas: filtragem inicial de 270 decisões identificadas na base de jurisprudência do STF, seguida da aplicação de protocolo de relevância racial e densidade argumentativa. A pesquisa adota fundamentação estruturalista e hermenêutica, articulando os conceitos de seleção e combinação (Jakobson, 1973), valoração sistêmica (Brondal, 1943) e construção discursiva da realidade jurídica (Costa, 2024), em diálogo com a Teoria Crítica da Raça e com estudos sobre racismo estrutural, branquitude e relações raciais no Direito (Bertúlio, 1989; Gonzalez, 1988; Carneiro, 2005; Queiroz 2017, Almeida, 2019). A análise utiliza a Tabela de Fichamento Jurisprudencial e a Ficha de Codificação Hermenêutica como instrumentos de reconstrução das vozes processuais, dos padrões discursivos e dos fluxos de circulação argumentativa, complementados por técnicas de mineração textual com uso do Voyant Tools e recursos de Processamento de Linguagem Natural. A tese propõe o Mapa da Jurisprudência Racial do STF como instrumento analítico destinado a identificar padrões decisórios, recorrências argumentativas, dinâmicas de incorporação e silenciamentos discursivos, permitindo compreender os limites e as possibilidades do papel desempenhado pela Corte na construção da justiça racial no constitucionalismo brasileiro.