ARQUITETURA SACRA NEOCOLONIAL: TEORIA E PRÁTICA DE UM ESTILO
Rio–São Paulo–Minas; 1914–1959; Arquitetura Sacra; Neocolonial; Igreja Católica; Nacionalismo.
Esta pesquisa investiga a manifestação do movimento neocolonial no meio eclesiástico, a repercussão da linguagem neocolonial na construção de edifícios religiosos durante a primeira metade do século XX e os aspectos formais e iconográficos característicos das igrejas desse estilo.
A primeira metade do século XX no Brasil foi um período de reorganização das relações entre Igreja, Estado e sociedade civil, em consequência da Proclamação da República, de cunho iluminista e positivista. O intenso processo de imigração europeia e o ambiente cultural resultante favoreceram o surgimento de movimentos nacionalistas, entre os quais o movimento neocolonial, que resgatava raízes ibéricas como contraponto aos estilos arquitetônicos historicistas internacionais. A adesão de autoridades influentes da Igreja no Brasil ao neocolonial, nas décadas de 1910 a 1950, representou uma tentativa de promover o pensamento ultramontano, conciliado com uma visão nacionalista que colocava o catolicismo no centro da formação da identidade cultural e histórica brasileira.
Percebe-se na última década esforços em investigar o neocolonial tendo por objeto de estudo a arquitetura religiosa das igrejas projetadas e construídas na linguagem arquitetônica desse movimento. Todavia, a ausência de investigações que busquem identificar de modo mais amplo os exemplares existentes, bem como a pouca quantidade de análises formais das igrejas construídas nessa linguagem, atesta a necessidade de outros esforços que contribuam para a compreensão de suas principais características e para valorização dos edifícios religiosos neocoloniais.
Desse modo, o plano de pesquisa consta de duas partes. A primeira consiste na investigação do contexto e das condições que permitiram, e mesmo favoreceram, a propagação das ideias promovidas pelo movimento neocolonial no meio eclesiástico católico. A segunda dedica-se à análise de igrejas construídas na linguagem neocolonial: Igreja Nossa Senhora do Brasil e Basílica Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo, e a Igreja Santa Teresa, em Belo Horizonte. Serão analisados os seus respectivos aspectos formais e tectônica; aspectos materiais e técnicas construtivas; função e significado simbólico dos elementos arquitetônicos.