Entrequadras do Plano Piloto de Brasília.
Plano Piloto de Brasília; Entrequadras; Escala residencial; Equipamentos comunitários; Espaços livres.
No projeto urbanístico vencedor do concurso nacional de 1957, Lucio Costa previu, entre as superquadras do Plano Piloto de Brasília, faixas destinadas à implantação de equipamentos públicos e comunitários do setor residencial, ainda sem nomeá-las como entrequadras. Esses espaços, posteriormente identificados por essa denominação, integravam uma estrutura urbana mais ampla, em diálogo com repertórios como a Cidade-Jardim, a Unidade de Vizinhança e as formulações modernas sobre espaços livres, habitação coletiva, circulação e equipamentos de uso comum. Na proposta para a nova capital, as superquadras não deveriam funcionar de modo isolado, mas articuladas por comércios locais, áreas livres e equipamentos compartilhados, capazes de atender diferentes agrupamentos residenciais. Nesse contexto, as áreas hoje reconhecidas como entrequadras assumiriam papel importante na mediação entre a escala residencial e a vida coletiva urbana, ao receberem usos como escolas, igrejas, cinemas, clubes de vizinhança e outros equipamentos comunitários. Apesar dessa concepção, sua implantação ocorreu de modo desigual: apenas a Área de Vizinhança 107/307/108/308 aproximou-se mais diretamente do modelo inicialmente previsto, enquanto muitas dessas áreas permaneceram não edificadas, receberam projetos não executados ou tiveram seus usos modificados ao longo do tempo. Por meio de levantamento e análise dos planos urbanísticos dessas áreas, bem como de projetos complementares, mudanças legislativas, visitas in loco e consultas a fontes secundárias, este estudo busca traçar e compreender as transformações das entrequadras desde sua formulação no plano até sua materialização e apropriação na cidade construída.