ENTRE EVENTOS E NARRATIVAS - REPRESENTAÇÕES, URBANISMO E PRODUÇÃO DO ESPAÇO EM ANÁPOLIS (1930 - 1970)
História Urbana; Anápolis; Urbanismo; Institucionalização do Urbanismo; Produção do Espaço Urbano.
Esta pesquisa analisa o processo de urbanização de Anápolis (GO) entre 1930 e 1970, buscando compreender como representações, saberes urbanísticos e agentes públicos e privados contribuíram para a produção do espaço urbano. Parte-se da hipótese de que a urbanização da cidade resultou da convergência entre narrativas históricas, circulação e institucionalização de conhecimentos técnicos e práticas administrativas que orientaram a materialização das transformações urbanas. Metodologicamente, a investigação fundamenta-se na História Urbana, articulando pesquisa documental, análise de legislação, planos urbanísticos, projetos arquitetônicos, jornais, fotografias históricas, mapas, plantas, atas administrativas e acervos públicos e privados, associados à revisão da literatura sobre urbanismo, circulação de saberes e institucionalização do planejamento urbano no Brasil. O trabalho organiza-se em três eixos analíticos. O primeiro examina as representações construídas sobre Anápolis por meio da historiografia, da imprensa e da memória, evidenciando a formação de narrativas que associaram progresso, modernidade e desenvolvimento à cidade. O segundo aborda a circulação dos saberes urbanísticos, discutindo a constituição do urbanismo como campo técnico, a atuação do Estado Novo, o municipalismo, as redes institucionais, os congressos, os órgãos de assistência técnica e a inserção de Anápolis nesses circuitos nacionais, culminando na elaboração do Plano Diretor conduzido por Luís Saia e Heitor Ferreira. O terceiro analisa a materialização desses saberes por meio da atuação do poder público, de profissionais especializados, de empresas urbanizadoras e de agentes privados responsáveis pela expansão territorial, pela implantação de infraestrutura, pela regulamentação urbana e pela produção de bairros e loteamentos. Os resultados parciais indicam que a urbanização de Anápolis não pode ser compreendida apenas como consequência do crescimento econômico ou demográfico, mas como expressão de um processo histórico de circulação, apropriação e institucionalização de conhecimentos técnicos, articulado às disputas políticas, aos interesses econômicos e às diferentes escalas de atuação do Estado e da iniciativa privada. Embora esta etapa da pesquisa apresente resultados parciais, as análises desenvolvidas evidenciam a relevância das redes de circulação de ideias, dos instrumentos administrativos e dos agentes envolvidos na constituição da cidade, estabelecendo as bases para os aprofundamentos previstos nas etapas subsequentes da tese.