Banca de DEFESA: JÚLIA TÁSSILA PINTO RODRIGUES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JÚLIA TÁSSILA PINTO RODRIGUES
DATA : 31/08/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Sala de videoconferência do PPG-FAU/UnB
TÍTULO:

Região Administrativa Zero: O urbanismo como dispositivo de racialidade - Brasília, Vila do IAPI (1956 - 1971)


PALAVRAS-CHAVES:

Brasília; Dispositivo de Racialidade; Práticas Urbanísticas; História Oral; Vila do IAPI


PÁGINAS: 160
RESUMO:

Esta pesquisa investiga a formação de Brasília a partir da hipótese de que a segregação racial observada na estrutura da capital não constitui um desvio do projeto modernista, mas integra seu processo de planejamento. Para desenvolver esse argumento, partimos da compreensão de que a produção do espaço urbano não se realiza apenas por meio de planos, projetos e intervenções materiais. Discursos, imagens, reportagens e diferentes formas de representação também produzem cidade ao construir interpretações sobre determinados territórios, legitimar intervenções e estabelecer formas específicas de ordenamento espacial. Sob essa perspectiva, a dissertação compreende esses elementos como práticas urbanísticas (Secchi e Farias Filho) e investiga sua atuação articulada ao conceito de dispositivo de racialidade, formulado por Sueli Carneiro, que compreende a articulação estratégica entre discursos, instituições e mecanismos responsáveis por produzir e sustentar hierarquias raciais, entendendo que tais práticas participaram da produção e da naturalização das desigualdades raciais inscritas no espaço urbano de Brasília. É a partir desse referencial que a Vila do IAPI é tomada como objeto de análise. A pesquisa acompanha sua formação, consolidação e erradicação entre 1956 e 1971 para compreender como determinadas práticas urbanísticas atuaram simultaneamente na produção material da cidade e na construção de narrativas capazes de legitimar processos de segregação, remoção e apagamento. Mais do que investigar um episódio específico da história de Brasília, ao longo desta pesquisa buscamos compreender os mecanismos por meio dos quais determinados territórios e sujeitos foram incorporados ou excluídos da narrativa oficial sobre a formação da capital. Nesse percurso, a dissertação propõe a noção de Região Administrativa Zero como chave de leitura para a história de Brasília. A Vila do IAPI é apresentada não apenas como uma ocupação antecedente do ponto de vista cronológico, mas como território fundamental para compreender os processos de ocupação, trabalho, moradia e apagamento que marcaram a formação da cidade. Analisamos essa chave de análise com um duplo propósito: reposicionar a Vila do IAPI na narrativa urbana de Brasília, e reconhecer o protagonismo negro na constituição da capital, evidenciando presenças, trajetórias e formas de produção da cidade que foram historicamente silenciadas. Ao recuperar essa experiência, a pesquisa busca mostrar que a narrativa oficial sobre Brasília apagou territorialidades e sujeitos que antecedem e estruturam a própria capital. Metodologicamente, o trabalho articula pesquisa bibliográfica e documental a uma investigação aprofundada dos arquivos. Além da análise de planos e projetos oficiais, legislação e documentos administrativos, a pesquisa realiza uma leitura sistemática de reportagens do Correio Braziliense, fotografias, registros produzidos por diferentes instituições e depoimentos orais preservados pelo Arquivo Público do Distrito Federal. Esses materiais, frequentemente tratados como fontes complementares, são assumidos como documentação central da investigação. Em vez de funcionarem apenas como ilustração dos acontecimentos, são interrogados como evidências das disputas em torno da produção da cidade, permitindo confrontar narrativas oficiais, representações veiculadas pela imprensa e memórias dos próprios moradores. Trata-se de uma perspectiva metodológica que se aproxima de uma arqueologia dos arquivos, privilegiando a leitura cruzada de diferentes registros empíricos para compreender como discursos, imagens e testemunhos participaram da construção da realidade urbana e da consolidação de determinadas interpretações sobre Brasília.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - ANA CLÁUDIA CASTILHO BARONE - USP
Externa ao Programa - 3006315 - ANA FLAVIA MAGALHAES PINTO - nullPresidente - 1083498 - CARLOS HENRIQUE MAGALHAES DE LIMA
Interna - 1855707 - CAROLINA PESCATORI CANDIDO DA SILVA
Notícia cadastrada em: 21/07/2026 09:46
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