Centralidades e Descentralização; Configuração Urbana; Sintaxe Espacial; Distrito Federal/Brasil.
Centralidades e Descentralização; Configuração Urbana; Sintaxe Espacial; Distrito Federal/Brasil.
O Distrito Federal apresenta uma estrutura urbana marcada pela forte centralização funcional no Plano Piloto, que concentra parcela significativa dos postos de trabalho e dos serviços especializados, produzindo intensos deslocamentos pendulares cotidianos a partir das demais Regiões Administrativas. Essa condição reforça desigualdades socioespaciais e evidencia limites históricos das estratégias de descentralização adotadas nos instrumentos de planejamento territorial. Entre essas estratégias, destacam-se os Polos Multifuncionais (PM), previstos no Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) de 2009 como instrumento de indução de novas centralidades fora do centro principal. Apesar de sua previsão legal, os PM não foram implementados e o próprio processo de revisão do plano diretor recoloca em debate seus fundamentos, critérios locacionais e pertinência contemporânea. Esta dissertação analisa criticamente a localização dos Polos Multifuncionais à luz da configuração urbana do Distrito Federal, buscando responder quais localizações seriam tecnicamente mais adequadas para uma estratégia de descentralização no contexto atual. Parte-se da hipótese de que, embora os critérios originais do PDOT/2009 fossem coerentes à época, as transformações territoriais ocorridas nas últimas décadas alteraram as condições configuracionais do sistema urbano. A pesquisa adota como referencial teórico-metodológico a Teoria da Lógica Social do Espaço (Sintaxe Espacial ou SE), realizando análise configuracional da rede de caminhos do Distrito Federal em escala global e local. São examinadas variáveis geométricas e topológicas capazes de revelar padrões de integração, hierarquia e potencial de movimento, comparando-se o cenário correspondente ao período de formulação da estratégia com a estrutura urbana contemporânea. Os resultados permitem avaliar a aderência das localizações previstas à lógica configuracional do território, discutir seus limites estruturais e institucionais e oferecer subsídios técnicos ao debate sobre descentralização, centralidades e mobilidade no Distrito Federal. Ao articular planejamento urbano e análise configuracional, a pesquisa contribui para a compreensão crítica dos instrumentos de ordenamento territorial e de suas possibilidades efetivas de indução de novas centralidades.