AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA CLARA CONDENSADA DE AR CONDICIONADO PARA USOS NÃO POTÁVEIS EM EDIFICAÇÕES
água clara; ar-condicionado; aproveitamento; qualidade da água; condensada; edificações.
A pesquisa teve como objetivo avaliar a qualidade físico-química e microbiológica da água clara condensada proveniente de sistema de ar-condicionado instalado em uma edificação da Universidade de Brasília, bem como avaliar seu potencial de aproveitamento para usos não potáveis e propor medidas de tratamento compatíveis com os padrões de qualidade estabelecidos pela legislação. O estudo adotou abordagem experimental e descritiva, com coleta de amostras de água condensada gerada por uma unidade de ar-condicionado instalada na Biblioteca CEDIARTE, condução por tubulação predial e armazenamento em reservatório de 200 L localizado no subsolo da edificação. Foram realizadas medições de pH, temperatura, condutividade elétrica e sólidos dissolvidos totais, além de análises microbiológicas de bactérias heterotróficas, fungos viáveis e Escherichia coli. Os dados foram organizados e submetidos à análise estatística descritiva e à avaliação exploratória de correlação pelo coeficiente de Spearman. Os resultados demonstraram valores reduzidos de condutividade elétrica e sólidos dissolvidos totais, com máximos de 181,90 µS/cm e 121,87 mg/L, respectivamente, permanecendo abaixo dos valores de referência para usos não potáveis. O pH apresentou maior variabilidade, com registros inferiores a 6,0 em parte das amostras. Escherichia coli não foi detectada nas amostras analisadas, enquanto bactérias heterotróficas e fungos viáveis foram quantificados em parte das amostras, evidenciando a necessidade de controle da qualidade microbiológica. A análise dos resultados, em conjunto com a literatura científica e os requisitos normativos, subsidiou a proposição de uma configuração de tratamento composta por controle do pH, desinfecção e filtração para retenção de partículas e impurezas. Destaca-se, ainda, a inclusão da análise de fungos viáveis, parâmetro pouco explorado nos estudos identificados na revisão de literatura sobre a qualidade microbiológica do condensado de sistemas de ar-condicionado. Concluiu-se que a água clara condensada apresentou potencial para aproveitamento em usos não potáveis em edificações, condicionado ao monitoramento da qualidade e à adoção de medidas de tratamento compatíveis com a finalidade de uso. Os resultados não foram suficientes, entretanto, para comprovar sua adequação ao consumo humano, sendo necessária caracterização complementar e tratamento específico para essa finalidade.